7 de julho de 2002

(8{> - Deuses Hodiernos

Li em algum oráculo dos novos deuses :“Quem não tem o que dizer, conta piadas.” Isto até pode ser verdadeiro para o meu humilde diário, mas, certamente não é para a maioria dos blogues que conheço. Todos têm sempre alguma coisa a dizer, apesar de não resistirem a uma boa piada, que ninguém é de ferro.
Sobre divindades, leiam o texto, “Cerimônia Memorial” que peguei no Padre Levedo - com a devida autorização, é claro. Com prazer informo: na “paróquia” dele, você também encontra piadas - das boas:

Cerimônia Memorial

“Onde fica o cemitério dos deuses mortos? Algum enlutado ainda regará as flores de seus túmulos? Houve uma época em que Júpiter era o rei dos deuses, e qualquer homem que duvidasse de seu poder era ipso facto um bárbaro ou um quadrúpede. Haverá hoje um único homem no mundo que adore Júpiter? E que fim levou Huitzilopochtli? Em um só ano - e isto foi há apenas cerca de quinhentos anos - 50 mil rapazes e moças foram mortos em sacrifício a ele. Hoje, se alguém se lembra dele, só pode ser um selvagem errante perdido nos cafundós da floresta mexicana. Huitzilopochtli, como muitos outros deuses, não tinha um pai humano; sua mãe era uma virtuosa viúva; nasceu de um inocente flerte dela com o sol. Quando ele resmungava, seu pai, o sol, ficava quieto. Quando trovejava de ira, terremotos engoliam cidades inteiras. Quando tinha sede, era saciado por 5 mil litros de sangue humano. Falando em Huitzilopochtli, logo vem à memória seu irmão Tezcatilpoca. Tezcatilpoca era quase tão poderoso: devorava 25 mil virgens por ano. Levem-me a seu túmulo: prometo chorar e depositar uma couronne des pedes. Mas quem sabe onde fica? E onde fica o túmulo de Quitzalcoatl? Ou o de Xiehtecutli? Ou o de Centeotl, aquela gracinha de deus? Ou o de Tlazolteotl, a deusa do amor? Ou o de Mictlan? Ou o de Xipe? Ou os restos de Tzitzimitles? Onde estão seus ossos? Onde fica o salgueiro onde eles penduraram suas harpas? Em qual Inferno perdido e desconhecido esperam pela ressurreição? Quem desfruta suas heranças? E onde fica o túmulo de Dis, de quem César dizia que era o principal deus dos celtas? Ou o de Tarves, o touro? Ou o de Moccos, o porco? Ou o de Epona, a égua? Ou o de Mullo, o asno celestial? Houve uma época em que os irlandeses reverenciavam todos esses deuses, mas hoje até o mais bêbado deles só consegue rir disto.
Mas eles têm companhia no oblívio: o Inferno dos deuses mortos é tão superlotado quanto o Inferno presbiteriano para bebês. Damona está num deles, assim como Ésus, Drunemeton, Silvana, Dervones, Adsalluta, Deva, Belisama, Uxellimus, Borvo, Grannos e Mogons. Todos deuses poderosos em seu tempo, adorados por milhões, cheios de exigências e imposições, todos capazes de unir e desunir - enfim, deuses de primeira classe. Durante gerações, os homens trabalharam para construir-lhes vastos templos - cada qual com pedras do tamanho de um bonde. O trabalho de interpretar os seus caprichos ocupava milhares de sacerdotes, bispos e arcebispos. Desafiá-los significava a morte, geralmente na fogueira. Os exércitos os defendiam contra os infiéis: cidades eram queimadas, mulheres e crianças chacinadas, seu gado afugentado. No fim das contas, no entanto, todos declinaram e morreram, e, hoje, não se encontra uma única alma penada para reverenciá-los. O que terá acontecido a Sutekh, antigo deus de todo o vale do Nilo? O que terá acontecido a:
Resheph Baal
Anath Astarte
Ashtoreth Hadad
Nebo Dagon
Melek Yau
Ahijah Amon-Ra
isis Osíris
Ptah Molech?

Todos estes foram deuses da mais alta eminência. Muitos são mencionados com temor e respeito no Velho Testamento. Há cinco ou seis mil anos, estavam taco a taco com o próprio Jeová, e o mais galinha-morta de todos era muito superior a Thor. Pois foram todos para o nada e, com eles, os seguintes:
Arianrod Nuada Argetlam
Morrigu Tagd
Govannon Goibniu
Gunfled Odim
Dagda Ogma
Ogyrvan Marzin
Dea Dia Marte
luno Lucina Diana de Éfeso
Saturno Robigus
Furrina Plutão
Cronos Vesta
Engurra Zer-panitu
Belus Merodach
Ubilulu Elum
U-d immer-an-kia Marduk
U-sab-sib Nin
U-Mersi Perséfone
Tammuz Istar
Vênus Lagas
Beltis Nirig
Nusku Nebo
Aa En-Mersi
Sin Assur
Apsu Beltu
Elali Kuski-banda
Mami Nin-azu
Zaraqu Qarradu
Zagaga Ueras

Peça ao seu vigário que lhe empreste um bom livro sobre religião comparada: você encontrará todos eles devidamente listados. Todos foram deuses da mais alta dignidade – deuses de povos civilizados -, adorados e venerados por milhões. Todos eram onipotentes, oniscientes e imortais. E todos estão mortos.”
Post patrocinado por: PADRE LEVEDO – Ajoelhou, tem que rezar.