20 de setembro de 2002

(8{> - Reclame com o Procon

Esta, como diz a minha amiga Pilar, é de 1800-e-refrigerante-de-rolha:

Texto publicado no Minas Gerais de 13/05/1993, a pedido do então vereador Arnaldo Godoy:
 

Não sei se estarei rompendo um protocolo, mas peço ao Presidente José Militão que leia um edital da Vila de Catimbau, Província de Minas Gerais, 4/3/1868, primeira legislação a respeito dos direitos do consumidor. Não sei se o Presidente poderia ler isso para a gente, mas, se puder, prestem atenção porque é bastante curioso.

O Sr. Presidente – Perfeitamente. (Lê:)

“EDITAL”
Faço saber aos povos desta minha vara que no dia 1o. do mês que vem, sahirei em triunpho da correcção, aferindo aos pesos de todos, bem como as respectivas.

1) Ficam prohibidos todos os regos.
2) Aquelles que não mandarem tapar os que tiver, bem como todos os buracos, serão multados em 20$000.
3) Nenhum animal de ordem das cabras poderá roer pelo vizindário.
4) Nenhum negociante ou taverneiro, ainda mesmo Coronel da Guarda Nacional, poderá vender farinha em cuia, que é ladroeira. Multa de 20$000.
5) Negro sem bilhete, tarde da noite na rua, é ladrão. Multa no senhor de 6$000.
6) Todo indivíduo de raça canina, sem coileir, bola nelle, nem que seja daquelles de pello amarellado.
7) É prohibida a venda de leite com água, ou água com leite, porque prejudica o negócio de minha dona e quebrarei a cuia do vendilhão.
8) Boi ou vaca deitada na rua de noite, sem lanterna nos chifres para que os andantes as vejam de longe. Multa de 5$000.
9) Cantadores de modinha desafinados a alta hora da noite, na porta das mulheres, cadeia de manhã, porque não quero destes desaforos no meu distrito.
10) Mulher que anda na rua de noite toda se requebrando leva cabeça raspada e mei dúzia de bolos, para evitar desaforos de certos maridos que andam de rixa com as mulheres.
11) Toda omissão omitida nesta postura será resolvida cá de meu modo.

E para que não digam que não sabiam, mando afixar este Edital, e mais outro na porta da frente e de trás do boticário que é lugar onde se fala da vida alheia.

Antônio Pires Noronha Franco, Fiscal da Vila de Catimbau.
Província de Minas Gerais, em 4 de março de 1868.

Obs. Será que o tão famoso "catimbeiro", veio de Catimbau?

18 de setembro de 2002

(8{> - Ânforas Fenícias de Olaria

Trocando figurinhas, sobre naufrágios com a Cora, me lembrei da história das ânforas fenícias na Baía da Guanabara:

Robert Marx, “arqueólogo”(1) americano, estava no Rio, com um equipamento muito sofisticado para busca de destroços no fundo do mar, quando foi informado que um mergulhador teria achado uma ânfora perto da Ilha do Governador. Um espertinho querendo enganar o gringo - no fechado círculo dos caçadores de tesouros, vale a máxima do lobo comendo lobo.

Marx tinha trazido o inventor do equipamento: o físico, ganhador do prêmio Nobel, Dr. Harold E. Edgerton(2) e o dono de uma empresa, que fabricava equipamentos para a marinha americana.


Fui convidado para um almoço com eles, na casa de um amigo. Marx chegou todo animado dizendo que tinha achado a tal ânfora. Falamos que era muito pouco provável essa história ter algum fundamento e que ele deveria tomar muito cuidado antes de divulgar qualquer coisa. Fez tudo ao contrário: telefonou para o agente dele e no dia seguinte a história foi publicada em um jornal americano - infelizmente, não lembro qual.
O pior é que se aproveitando da presença e do prestígio do Dr. Edgerton, ele conseguiu um aval do Smithsonian, provavelmente falso. Não sabíamos, então, que ele vivia da venda de artigos sobre descobertas importantes e de objetos de naufrágios, que retirava sem autorização dos governos locais.
Como era esperado, o negócio estourou aqui como uma bomba. Todos os jornais do Rio, publicaram a notícia. No mais puro estilo Erik van Denniken(3), neguinho saiu escrevendo que finalmente havia provas que os fenícios haviam chegado ao Brasil antes dos portugueses e outras sandices.
A farsa durou pouco. Na verdade, um mergulhador brasileiro, das antigas, viu ânforas na Grécia e gostou muito. Fotografou e mandou uma olaria fazer réplicas. Depois, colocou algumas no fundo do mar para que ficassem com cracas e aspecto de vasos antigos. Ia usar mais tarde como objetos de decoração.

(1) Um caçador de tesouros e predador sem escrúpulos. Soubemos depois, que já havia sido proibido de entrar em alguns países (Portugal e Espanha, pelo menos) e, posteriormente, teve o visto caçado no Brasil, por se apropriar de alguns artefatos do “Hollandia” - nau holandesa naufragada em Salvador.

(2) Um velhinho muito simpático que entrou de gaiato na história. Ganhei dele um postal com a reprodução da conhecida fotografia da bala de fuzil, atravessando uma maçã (só possível, usando lâmpadas e lentes especiais que desenvolveu).

(3) (Eram os Deuses Astronautas?) - Picaretaço que fez fortuna, vendendo lixo para gente que adora interpretações mediúnicas de fatos históricos.
Versão dele para as erosões da Pedra da Gávea: “thyro phenicia badezir primogênito de jeetbaal”. É mole? 

Fotos tiradas pelo processo do Dr. Edgerton.
O abestalhado aqui ganhou um autógrafo do “arqueólogo” - antes de conhecê-lo melhor.
Só está guardado porque prezo muito minha coleção de “Sea Frontiers”. A tarja marrom é da censura militar (cáspite!)

16 de setembro de 2002

(8{> - Caipirando

No pouco tempo que estou publicando aqui na tumba, fiz bons amigos. Alguns deixam comentários gentis, outros passam e seguem seu caminho, apressados. Todos são muito bem-vindos - exceto os cramulhões de garrafa, é claro. Mas tem uma, que desde o primeiro post, passa todo dia no baú - ela chama de sarcófago - e praticamente me adotou: É a Caipira, também conhecida pelo apelido de Pilar.
Como vai morar na França, resolvi publicar alguma coisa pra ela não esquecer o amigo.
Fui procurar no baú e achei uma foto, que deve ter pelo menos uns dois milênios - eu ainda tinha pele - e lá está a roceira, tão pequenininha que cabia na palma da minha mão.
Depois dessa, tenho certeza que ela não vai me trocar por nenhum ganso artista de Montmartre... Como o fígado do condenado.
Boa viagem, e não se esqueça da quadrilha.